O PREFEITO E O PUXA-SACO

Reri Barretto

Para o adulador só existia um homem na face da Terra. Aquele homem era seu Deus no mundo:
-Meu compadre prefeito é um homem santo. Eu já vi o pároco da cidade pecar quando armou aquela fofoca para minha vizinha Irene. E assim vivia o bajulador puxando e até balançando os ovos do gestor da pequena urbe.
-O homem segue os dez mandamentos. Vou procurar uma autoridade alta da igreja católica, para entrar em contato com o papa, a fim de canonizar meu compadre prefeito.
Quando um amigo era contra a ideia da canonização o puxa-saco fechava a cara e mandava:
-Não quiseram canonizar o padre Cícero? Você é um herege! Procure o diabo para falar sobre sua heresia!
E berrava para seu amigo.
-XÔ SATANÁS!!!
O gestor era torcedor do Vasco e para agradar o prefeito o cara virou um Vasco fanático: pintou sua casa toda de preto e branco e ainda por cima mandou o pedreiro construir uma enorme cruz de malta no jardim.
-Tá vendo compadre prefeito que seu amigo é Vasco também!
O prefeito balançava a cabeça aprovando a construção.
Para agradar o gestor, o adulador entregou seus cinco filhos para o amigo autoridade batizar e ainda colocou os nomes dos meninos de: Roberto Dinamite, Edmundo, Eurico Miranda, Vasco e Romário.
A corrupção corria solto na gestão do compadre, mas para o puxa-saco era invenção da oposição.
-É lorota da oposição! Aquele povo da oposição não trouxe benefícios para nossa cidade.
Com a boca cheia, o submisso gritava;
-Meu compadre prefeito colocou “Minha casa minha vida” na sua administração!
-Teve malandragem nas entrega das casas. Zé Rico que tem um alto poder econômico ganhou uma casa. Zé Molambo, um pobre sem eira nem beira não foi beneficiado- respondia na bucha um opositor.
-A culpa foi da Associação dos moradores, que fez cambalacho na hora de entregar as chaves das casas. Meu compadre trouxe o projeto “O povo de boca cheia”.
Ai o amigo oposicionista sorria e chacoalhava;
-O povo com a boca cheia de vento!!!
No governo do meu compadre prefeito tem o projeto “Ruas asfaltadas”
O amigo continuava satirizando:
– Ruas assaltadas!
-Por que?
-porque seu compadre prefeito pegou a verba federal e não consertou as ruas.
-Foi aquela firma que está envolvida no escândalo da Petrobras que não realizou os serviços de terraplanagem e outros acabamentos.
No governo do meu compadre prefeito tem merenda nas escolas.
-É merenda pouca é podre.
-Vocês da oposição tem inveja do meu compadre prefeito.
Um dia a amizade acabou. O gestor chegou contrariado e desabafou para o puxa-saco:
-Vou deixá-la!
Sem esperar o prefeito terminar seu raciocínio, o adulador exclamou:
-Deixe mesmo! A sua mulher não presta! Ela anda transando com os vereadores da oposição para desmoralizá-lo prefeito compadre.
E dono da situação:
Eu não transei com sua mulher porque tenho consideração ao senhor.
O compadre prefeito olhou sério para o puxa-saco e arrebentou:
-Eu vou deixar é o partido político que estou filiado.

BARETA E A CARNE DE BODE DA PENITENCIÁRIA.

Quando o repórter policial Bareta aparecia na Penitenciária do Estado de Sergipe, os presos berravam.
-Bééééééééé.
Encabulado com a ação dos presidiários, Bareta procurou um dele e questionou:
-Por que vocês berram quando aqui apareço?
-Para lhe denunciar que na Penitenciária os detentos comem carne de bode pela manhã, à tarde e também à noite.
Denunciado o cardápio do bode na imprensa, os presos passaram a comer carne de primeira.

DEDÉ-O LADRÃO DE BOTIJÃO

Reri Barretto

Dedé, ladrão manjado do Conjunto Bugio, não podia ver um botijão de bobeira que furtava. O larápio tinha uma especialidade de furtar botijão cheio de gás.
-Ladrão de respeito tem que furtar botijão cheio de gás.Com botijão cheio de gás eu ganho dinheiro e mostro minhas forças.
Dedé era conhecidíssimo da polícia.
-Doutor, meu botijão foi furtado.
-Vá procurar Dedé. Dizia o delegado para o policial.
Encontrado o gatuno o objeto era recuperado.
O tempo passou e o meliante já idoso continuou com aquela vida de furtar botijão. Anos depois, encontrei Dedé com os cabelos brancos, no centro da cidade de Aracaju e logo o indaguei.
-Dedé, ainda continua “naquela vida”.
-Continuo.
-Nessa idade?
-Agora sou light e pobre.
-Light e pobre como? Espantado perguntei.
-Porque a idade e um tal de “Know how” me fizeram ladrão light e pobre.
-Light e pobre como? Continuei indagando.
-Light por causa da idade que me faz furtar botijão vazio.
-E pobre?
-Porque não não deixaram entrar no esquema do PETROLÃO.
-PETROLÂO?
Dedé com a cara mais cínica do mundo questionou:
-Gás não cheira a PETROLÃO?
-Por não deixaram entrar?
-Porque disseram que eu não tinha um de tal de “Know how”.

LULA UMA CACHAÇA COM X OUTRA COM CH.

Reri Barretto

 

Lula chega no estabelecimento comercial e pede um chá:
-Por favor, traga um chá para eu beber que a ressaca chegou!
O atendente olha para Lula e questiona:
-Lula, chá é escrita com “x” ou com “ch”?
Atabalhoado Lula retrocede.
-Esqueça o chá! Mande uma cachaça para eu rebater a ressaca.
Zombeteiro o atendente continua.
-Cachaça é escrita com “x” ou “ch”?
Resmungando Lula apelou:
-Traga duas! Uma cachaça com “x” e outra cachaça com “ch”.

O “TREM DA ALEGRIA”

Reri Barretto

-Mamãe, o “trem da alegria” chegou!
-Que tipo de trem é este, meu filho? É o trem do Parque de Diversões do Palhaço Carequinha?
– Não!
-O que é?
-É o apelido do novo emprego adquirido pela pessoa que entra nas repartições públicas sem o concurso público.
-E pode?
-Pode. O governo nepotista nomeia seus apadrinhados através de contrato temporário.
-Que segurança tem este emprego, meu filho.
-Nenhuma. Se o empregado contratado fazer uma cara feia para o chefe politico fica desempregado.
-Tem direito a fundo de garantia e outras causas trabalhistas.
-Tem não, mamãe. Sai com as mãos abanando.
Neste exato momento o povo da cidade entrou em pânico a fim de conseguir sua brecha numa repartição pública. Tibúrcio, coronel nepotista de nascença tratou de resolver logo o caso com seus apadrinhados.
-Tem certeza que não esqueceu ninguém? Inquiriu Tibúrcio para sua secretária.
-E o compadre Agripino?
-Já incluir na lista.
-E a sua quenga? Lembre-se que a quenga de meu compadre Agripino tem uma família numerosa que vota com a gente.
-Já coloquei.
– E o compadre José dos Santos?
Assombrado a secretária alerta.
-Já morreu.
-Mande o nome dele também.
-Não vai dar problema?
– Tem várias pessoas com esse nome e quando descobrirem o meu amigo José dos Santos estará morto devido a nossa burocracia.
-Tá bem.
-Compadre João da Cruz está na lista?
-Ele é analfabeto?
-O que é que tem? Eu arrumo uma colocação que não vai precisar ler nem escrever. Indagou o coronel Tibúrcio encabulado com a pergunta da sua empregada.
-O professor Petrus está na lista?
-Ele é professor de grego e no Brasil o ensino da língua grega foi abolido nas escolas secundárias.
-Deixe o nome dele na minha lista de pedido de empregos.
-E como o senhor vai encaixar o professor de língua estrangeira se no Brasil não há vagas para essa licenciatura?
-Eu mando o meu amigo governador abrir uma escola preparatória do idioma grego para recepcionar o povo daquele país para Olímpiada de 2016 e aproveito, e encaixo meu amigo Petrus.
-Coronel coça a cabeça e…
-Vou encaixar meu pai também;
-Como? Seu pai tem 65 anos?
-Coloco meu pai no Tribunal de Contas.
-Tem que ter saber jurídicos…
-Meu pai foi o maior rábula do interior nordestino que conheci.
-Mas…
-Que nada. Meu governador tem a maioria dos deputados na Assembleia Legislativa e quem tem a maioria consegue tudo.
-Quer incluir mais gente, coronel?
-Tem ainda fulano, sicrano, beltrano…
E olhando com a cara feia para o secretário tacou.
-Eu vou mandar o meu compadre governador acabar com este “Trem da Alegria”.
-Desnorteado o secretário indagou.
-Por quê?
-Para implantar no meu Estado o “Transiberiano da Alegria” e nomear todos os meus apadrinhados.